# Ensinamento dos Padres sobre a Criação e MariaNa doutrina dos Padres da Igreja, especialmente dos gregos, o valor da criação se concentra na humanidade de Cristo. O Filho de Deus assume em sua própria carne toda a criação, a enche com sua vida divina e, através da ressurreição e do Espírito Santo derramado, torna-a imortal e diviniza: nesta salvação reside o propósito divino. Por outro lado, o objetivo próprio da criação, a realidade para a qual ela tende desde o início, é a união com Deus, a teosis, ou seja, tornar-se verdadeiramente o corpo de Cristo, o corpo concreto do Cristo histórico, o corpo real de Cristo. Esta é a Igreja.A doutrina dos Padres, central no Concílio de Calcedônia (451), apresenta duas tendências: uma destaca a salvação realizada por Cristo em sua carne e transmitida pela Igreja-sacramento a toda a humanidade; a outra, fundamentada na primeira e desenvolvendo-a, expressa a realidade, o valor e a contribuição da humanidade para esta salvação, enfatizando o mistério da sinergia divino-humana.## A Encarnação: Um Evento DuploA encarnação do Verbo é um evento duplo: Deus assume a carne do homem e, através dela, o homem vive a vida divina. Como afirma Atanásio, “Deus se fez carne para que o homem possa se tornar deus”.Podemos distinguir três momentos importantes na encarnação:1. **Revelação de Deus**: A encarnação revela a natureza divina. É a própria revelação de Deus.
2. **Presença na História**: A encarnação introduz Deus na história humana, permitindo-lhe agir diretamente na vida dos homens, não mais como uma força distante, mas em pessoa.
3. **Plenitude Humana**: Através da encarnação, o homem atinge sua plena vocação, tornando-se deus-homem.## Maria: A Mãe do Filho UnigênitoDeus, segundo a tradição bíblica e patrística, é inacessível e invisível. No entanto, ele criou o homem com o propósito de se unir a ele e comunicar-lhe sua vida. A encarnação de Cristo, portanto, é fundamental para que Deus se torne visível e sua vida seja comunicada à criação.Irineu de Lyon e Isaac de Nínive destacam que a carne de Cristo, através da Virgem Maria, é verdadeira e realmente Deus. O sangue de Cristo é o sangue de Maria, e esta carne humana revela a Deus toda a criação.A pedagogia de Deus, desde a queda do homem, visa preparar a humanidade para receber a encarnação. A história do povo eleito culmina na Virgem Maria, que, segundo a doutrina ortodoxa, foi concebida por obediência a Deus, apesar das consequências do pecado original.Maria, nascida de Joaquim e Ana, é a realização da pedagogia divina e da colaboração humana. Ela é a “cheia de graça” (Lucas 1:28), chamada por Deus para uma missão única. Seu “fiat” (sim) permite que Deus assuma a carne humana e se revele através dela na criação.A encarnação, portanto, não é apenas a revelação de Deus, mas também a manifestação da energia e da justiça divinas operando na história através da carne de Cristo e, em Maria, da humanidade toda.Aby pogłębić refleksję nad Marią, Matką Boga i Wiecznego Słowa, skorzystaj z Encykliki „Redemptoris Mater” papieża Jana Pawła II.
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