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Nossa Senhora das dores: memória litúrgica

# Nossa Senhora das Dores: memória litúrgica e significado

A memória litúrgica da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores, celebrada em 15 de setembro, permite-nos contemplar um aspecto fundamental da experiência mariana: a sua participação na dor e no sacrifício de Cristo, desde o momento do seu nascimento até à Hora da Cruz.

O Calendário Litúrgico Geral posiciona esta memória logo após a festa da Exaltação da Cruz, destacando a inseparabilidade entre a cruz do Filho e o sofrimento da Mãe. O Papa Paulo VI, na exortação apostólica *Marialis Cultus*, sublinha que:

> “A memória da Virgem das Dores é uma ocasião propícia para reviver um momento decisivo da história da salvação e para venerar a Mãe associada à Paixão do Filho e próxima a Ele erguido na cruz.”

A liturgia valoriza a tradição, libertando a memória das interpretações errôneas, conforme indicado pela Constituição Conciliar *Lumen Gentium* (n. 67):

> “Aos teólogos e pregadores da palavra de Deus, exorta-os instantemente a evitarem com cuidado, tanto um falso exagero como uma demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus. Estudando, sob a orientação do magistério, a Sagrada Escritura, os santos Padres e Doutores, e as liturgias das Igrejas, expliquem como convém as funções e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todos respeito a Cristo, origem de toda a verdade, santidade e piedade. Evitem com cuidado, nas palavras e atitudes, tudo o que possa induzir em erro acerca da autêntica doutrina da Igreja os irmãos separados ou quaisquer outros. E os fiéis lembrem-se de que a verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes.”

A Missa atual apresenta textos novos, exceto a antífona de entrada, a passagem do Evangelho e a sequência opcional *Stabat Mater*. A forma revisada inicia-se com a passagem de Lucas 2,34-35 como antífona de entrada:

> “Simeão disse a Maria: ‘Este menino está destinado a causar a queda e o surgimento de muitos em Israel, e a ser um sinal de contradição, de modo que o pensamento de muitos corações será revelado. Quanto a ti, uma espada atravessará a sua alma.'”

Esta passagem introduz imediatamente a figura de Cristo, a pedra rejeitada pelos construtores que se tornou a pedra angular, e o papel de Maria na salvação. As palavras de Simeão convidam a assembleia a envolver-se na Palavra de Deus e a renovar a escuta por Cristo, seguindo o exemplo da Virgem Mãe.

A primeira leitura é tirada da Carta aos Hebreus 5,7-9:

> “Nos dias de sua vida terrena, [Cristo] ofereceu orações e súplicas, com grande clamor e lágrimas, a Deus que poderia salvá-lo da morte e, por seu total abandono a ele, foi atendido. Embora fosse o Filho, aprendeu a obediência pelo que sofreu e, aperfeiçoado, tornou-se a causa da salvação eterna para todos os que lhe obedecem. O texto destaca a compaixão de Cristo, que, nos dias de sua vida terrena, orou e suplicou a Deus por sua morte iminente. Através do seu sofrimento e obediência, ele venceu a morte e se tornou o Salvador eterno.”

A leitura revela que Maria, até então apenas a Mãe de Jesus, torna-se a Mãe da humanidade inteira, associada a Cristo na Paixão e na dor. Os fiéis são exortados a seguir o exemplo de Maria, praticando a obediência no sofrimento e buscando a perfeição para participarem da glória de Cristo ressuscitado.

O salmo responsorial, tirado do Salmo 30(29), versículo 6, reflete o pranto dos sofredores e marginalizados, e torna-se fonte de luz e esperança:

> “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.”

A leitura do Evangelho (João 19,25-27) retrata Maria junto à Cruz, no momento em que Jesus confia o seu cuidado ao discípulo amado. As palavras de Cristo na cruz, “Eis a tua Mãe”, associam Maria ao novo Adão, simbolizando a união da Igreja com o Mistério pascal de Cristo.

Os textos eucológicos unem o mistério de Nossa Senhora das Dores à vocação da Igreja de se unir ao mistérios pascal de Cristo. A Oração Coleta pede a Deus que a Igreja, associada a Maria na paixão de Cristo, participe da glória da ressurreição. Na Oração sobre as Ofereças, a Igreja entrega-se a Deus, unida à dulcíssima Mãe sob a cruz. Finalmente, a Oração Pós-Comunhão implora ajuda divina para que a Igreja e cada fiel completem o que falta na paixão de Cristo.

Para uma compreensão mais profunda, recomenda-se a leitura da exortação apostólica *Marialis Cultus* de Paulo VI, que oferece uma visão abrangente das festas marianas de sofrimento e compaixão no contexto litúrgico da Igreja.


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