Dia de Todos os Santos: origem, data e Maria, Rainha de todos os santos

Por Prof. Dr. Daniel C. Afonso · Atualizado em
Quando é o Dia de Todos os Santos e como se celebra no Brasil
A Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos em 1º de novembro. O Código de Direito Canônico coloca Todos os Santos entre os dias festivos de preceito da Igreja universal (cân. 1246, § 1), mas permite que a Conferência episcopal, com aprovação prévia da Sé Apostólica, suprima alguns desses dias ou os transfira para o domingo (cân. 1246, § 2).
No Brasil, Todos os Santos não é dia santo de guarda próprio. A circular da Arquidiocese do Rio de Janeiro de 16 de outubro de 2025, apoiada na legislação complementar da 22ª Assembleia da CNBB (1984) e no Diretório Litúrgico, lembra que os dias de preceito no país, além dos domingos, são Santa Maria Mãe de Deus, Corpus Christi, Imaculada Conceição e Natal, e que a Solenidade de Todos os Santos é usualmente transferida para o domingo. Em 2024, por exemplo, quando o 1º de novembro caiu numa sexta-feira, a Arquidiocese de Brasília celebrou a solenidade no domingo, 3 de novembro.
Em 2026, o 1º de novembro cai num domingo. Por isso a solenidade é celebrada no próprio dia. Quem participa da missa nesse domingo, ou da missa da tarde do sábado, 31 de outubro, cumpre o preceito dominical (cân. 1248, § 1). No dia seguinte, segunda-feira, 2 de novembro, a Igreja faz a Comemoração de todos os fiéis defuntos, o Dia de Finados. A cor litúrgica de Todos os Santos é o branco, e as leituras da missa são Ap 7,2-4.9-14, 1Jo 3,1-3 e o Evangelho das bem-aventuranças, Mt 5,1-12a.
Por que 1º de novembro? Nem todos os passos dessa história estão documentados com a mesma segurança, como mostra a seção sobre a origem da festa, mais abaixo. Em resumo, segundo a Catholic Encyclopedia (1907): em 13 de maio de 609 ou 610, o papa Bonifácio IV consagrou o Panteão de Roma à Virgem Maria e a todos os mártires, com um aniversário anual. Gregório III (731-741) consagrou na Basílica de São Pedro uma capela a todos os santos e fixou o aniversário em 1º de novembro. Gregório IV (827-844) estendeu a celebração de 1º de novembro a toda a Igreja, e Sisto IV (1471-1484) acrescentou a oitava.
Em Roma, portanto, a memória comum dos mártires ficou ligada desde cedo à Mãe de Deus: o Panteão foi dedicado, ao mesmo tempo, à Virgem e a todos os mártires.
Origem da festa de Todos os Santos: a história em detalhe
Uma festa em honra de todos os santos, celebrada em 1º de novembro no Ocidente. As origens desta festa são incertas. A primeira menção vem do Oriente, em um hino composto por Santo Efrém em 359, onde é mencionada uma comemoração de todos os mártires em Edessa em 13 de maio (Carmen 6). Em 411, no entanto, os sírios orientais mantiveram essa comemoração na sexta-feira após a Páscoa (Breviarium Syriacum 34).

Um sermão de São João Crisóstomo marca a observância de uma festa de todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. Quando Crisóstomo pregou este sermão, não sabemos se se referia à festa em Antioquia ou Constantinopla. Se ele a pregou em Constantinopla depois de se tornar patriarca (398), esta seria a primeira referência à festa ali, ainda hoje observada pelo rito bizantino no domingo depois de Pentecostes.

Uma observância de todos os mártires no domingo depois de Pentecostes também aparece no Ocidente. São Máximo de Turim (século V) pregou em homenagem a todos os mártires no mesmo domingo (Homilia, 81). A comemoração logo incluiu também não-mártires, como aparece no Lecionário de Würzburg, a primeira lista de epístolas de Roma (um manuscrito do século VIII que testemunha as leituras usadas na liturgia no final do século VI ou início do século VII), que indica este domingo como dominica in natale sanctorum ou domingo da Natividade dos Santos. Parece existir também como dia de oitava para Pentecostes. A festa é encontrada novamente no Lecionário de Murbach, que lista leituras que acompanham a família de sacramentários do século VIII que precedeu a reforma de Carlos Magno.

Roma também sabia de outra festa de todos os mártires antes de adotar 1º de novembro. Em 609 ou 610, Bonifácio IV recebeu o Panteão Romano das mãos do imperador Flávio Focas Augusto (falecido em 610) e o dedicou sob o título de S. Maria ad Martyres (Liber Pontificalis, 1, 317). A dedicação ocorreu no dia 13 de maio, e o aniversário foi posteriormente comemorado com grande festa. Muitos veem nisso a origem do Dia de Todos os Santos. Pode ser, no entanto, que a festa de 13 de maio tenha sido simplesmente o aniversário da dedicação, ou que Bonifácio tenha escolhido essa data porque já estava associada a todos os mártires do Oriente. Os livros litúrgicos que testemunham esse período não mencionam uma festa de todos os mártires que estaria em continuidade com a festa siríaca mencionada por Efrém.
Ainda não foi demonstrado como uma festa de todos os santos passou a ser celebrada em 1º de novembro. O Papa Gregório III (731-741) dedicou um oratório na Basílica de São Pedro a «todos os apóstolos, mártires, confessores e todos os justos e perfeitos que descansam em todo o mundo». (Liber Pontificalis 1,417).
A data precisa da dedicação no início de 732 não é conhecida. Na Inglaterra, Beda, o Venerável mencionou uma festa de todos os santos em seus dois martirológios. Egberto de York foi ordenado diácono em Roma em 732 e recebeu o pálio do Papa Gregório. Se Egberto é o fundador da festa na Igreja inglesa, ele pode ter aceitado 1º de novembro como a dedicação do oratório de Gregório. Arno de Salzburgo convocou uma festa de todos os santos em 1º de novembro para o sudeste da Alemanha em 798. Em 799, Alcuíno, que foi educado na catedral de York de Egberto, elogiou Arno, arcebispo de Salzburgo, por observar a festa de 1º de novembro (Epístola 91).
A festa, porém, não aparece no suplemento de Alcuíno ao Sacramentário Gregoriano. De acordo com João Beleth (m. 1165), o Papa Gregório IV (827-44) transferiu a festa de 13 de maio para 1º de novembro porque as provisões (colheita dos grãos) eram inadequadas para os numerosos peregrinos que vinham a Roma para a festa em maio (Rationale divinorum officiorum, 127). Não há consenso acadêmico sobre o assunto. Segundo Ado de Vienne (800-875), este mesmo pontífice pediu a Luís, o Piedoso, Rei de França (778-840), que estendesse a festa de 1º de novembro a todo o império (Martyrologium, 123,387). Sigebert (m. 1112) em sua crônica atribui o ano 835 a este evento. Na realidade, nos séculos IX e X, 1º de novembro é listado como Natale omnium sanctorum, por exemplo, no Sacramentário de Corbie.

De acordo com Sicardio de Cremona (m. 1215), foi o Papa Gregório VII (1073-1085) quem suprimiu definitivamente a festa de 13 de maio em favor de 1º de novembro (Mitrale, 213,414). De fato, no século XII, o 13 de maio desaparece dos livros litúrgicos.
A festa teve uma vigília desde os primeiros tempos, e uma oitava foi introduzida pelo Papa Sisto IV (1471-1484), que estabeleceu a festa para todo o Rito Latino.
Todos os Santos é classificado como solenidade e considerado dia santo de obrigação (CDC Cân. 1246, § «1. O domingo, em que se celebra o mistério pascal, por tradição apostólica, deve guardar-se como dia festivo de preceito em toda a Igreja. Do mesmo modo devem guardar-se os dias do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, Epifania, Ascensão e Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, Santa Maria Mãe de Deus e sua Imaculada Conceição e Assunção, São José e os Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e finalmente de Todos os Santos»). O § 2 do mesmo cânon permite à Conferência episcopal transferir esses dias para o domingo, e no Brasil a solenidade não é dia de preceito próprio (ver a seção sobre a data, acima).
A eucologia da Missa fala da santidade do povo de Deus através das imagens da alegria, do perdão, da bem-aventurança e do amor mútuo. A Igreja não só louva a Deus por todos os mortos que alcançaram a glória celeste, mas compromete-se a caminhar para a Jerusalém celeste, lugar onde todo o povo de Deus está em comunhão (Ap 7,9). Aos que ainda se purificam, a Igreja dedica a Comemoração de todos os fiéis defuntos, no dia seguinte.
Todos os Santos e Finados: qual é a diferença
As duas datas ficam lado a lado no calendário, mas celebram realidades distintas. O Concílio Vaticano II descreve a única Igreja de Cristo em três estados: dos seus discípulos, «uns peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados» (Lumen gentium, 49). Todos os Santos olha para os glorificados. Finados olha para os que ainda se purificam.
Em 1º de novembro, a Igreja louva a Deus por todos os que já estão na glória, canonizados ou não, conhecidos ou anônimos. É a multidão que o vidente do Apocalipse contempla diante do trono e do Cordeiro: «ὄχλος πολύς, ὃν ἀριθμῆσαι αὐτὸν οὐδεὶς ἐδύνατο» (ochlos polys, hon arithmēsai auton oudeis edynato): multidão grande, que contá-la ninguém podia (Ap 7,9). Por isso é uma solenidade, celebrada com alegria e com a cor branca.
Em 2 de novembro, a Igreja reza pelos fiéis defuntos. O Catecismo ensina que «os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu» (CIC 1030), e chama purgatório a essa purificação final dos eleitos (CIC 1031). A prática de rezar pelos mortos, lembra o Catecismo, já é mencionada na Escritura, em 2Mc 12,46, e a Igreja a mantém desde os primeiros tempos, sobretudo com o sacrifício eucarístico (CIC 1032). A comemoração anual de todos os fiéis defuntos ganhou força em Cluny: segundo a Catholic Encyclopedia, Santo Odilo (m. 1048) a determinou para os mosteiros da sua congregação, e dali ela passou a outras congregações beneditinas e aos cartuxos. A cor litúrgica de Finados é o roxo, e o preto é facultativo onde houver esse costume, conforme o Diretório Litúrgico da CNBB citado pela Arquidiocese do Rio de Janeiro.
O que une as duas datas é a comunhão dos santos. O Catecismo resume: «A comunhão dos santos é precisamente a Igreja» (CIC 946). Os que estão na glória intercedem por nós junto do Pai (CIC 956), e a nossa oração pelos defuntos «pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a sua intercessão em nosso favor» (CIC 958). Depois de recordar os justos que viveram da fé (Hb 11), a Carta aos Hebreus descreve a Igreja que ainda caminha como cercada por eles: «τοσοῦτον ἔχοντες περικείμενον ἡμῖν νέφος μαρτύρων» (tosouton echontes perikeimenon hēmin nephos martyrōn): tendo tão grande, posta ao nosso redor, nuvem de testemunhas (Hb 12,1).
Em resumo: em Todos os Santos, a Igreja celebra os que já chegaram à visão de Deus. Em Finados, reza pelos que ainda se purificam para chegar a ela. As duas datas formam um só movimento de fé, esperança e caridade, sustentado pela fé na ressurreição, tema do artigo sobre Maria e a esperança da ressurreição.
Maria, Rainha de todos os santos, e o chamado universal à santidade
Na Ladainha de Loreto, a Igreja invoca Maria como «Rainha de todos os Santos», logo depois de chamá-la Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos confessores da fé e das Virgens, segundo o texto da ladainha publicado pela Santa Sé. O título resume o que o 1º de novembro celebra: a santidade de todos os redimidos tem em Maria o seu ponto mais alto.
O fundamento está no capítulo VIII da Lumen gentium. A Virgem, «terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como rainha» (LG 59). O texto latino diz «tamquam universorum Regina», isto é, como Rainha do universo. O Concílio a saúda como «membro eminente e inteiramente singular da Igreja» (LG 53) e a apresenta glorificada como «sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante» (LG 68). Pede ainda que os fiéis supliquem à Mãe de Deus, para que ela, «exaltada sobre todos os anjos e bem-aventurados, interceda, junto de seu Filho, na comunhão de todos os santos» (LG 69). Maria não está fora da comunhão dos santos: é o seu membro mais eminente, e o que nela já se cumpriu é o que a Igreja espera para todos. Por isso a Igreja a chama bem-aventurada, como ela mesma anunciou no Magnificat: «ἀπὸ τοῦ νῦν μακαριοῦσίν με πᾶσαι αἱ γενεαί» (apo tou nyn makariousin me pasai hai geneai): desde agora me chamarão bem-aventurada todas as gerações (Lc 1,48).
Há ainda um laço histórico. Pio XII definiu o dogma da Assunção na festa de Todos os Santos: a constituição apostólica Munificentissimus Deus foi dada em Roma em 1º de novembro de 1950, «festa de todos os santos» (MD 47). A Mãe glorificada em corpo e alma foi proclamada no dia em que a Igreja contempla a glória de todos os seus filhos.
A festa é também um chamado. O capítulo V da Lumen gentium ensina que todos na Igreja, «quer pertençam à Hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade» (LG 39), e retoma a palavra de São Paulo: «τοῦτο γάρ ἐστιν θέλημα τοῦ θεοῦ, ὁ ἁγιασμὸς ὑμῶν» (touto gar estin thelēma tou theou, ho hagiasmos hymōn): isto, pois, é vontade de Deus: a santificação de vós (1Ts 4,3). Por isso, diz o Concílio, os cristãos de qualquer estado ou ordem «são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» (LG 40).
A santidade não é privilégio de poucos. É a vocação comum dos batizados, e a Rainha de todos os santos é, ao mesmo tempo, modelo e companhia nesse caminho. O Evangelho do dia o diz com as bem-aventuranças: «μακάριοι οἱ καθαροὶ τῇ καρδίᾳ, ὅτι αὐτοὶ τὸν θεὸν ὄψονται» (makarioi hoi katharoi tē kardia, hoti autoi ton theon opsontai): bem-aventurados os puros no coração, porque eles a Deus verão (Mt 5,8).
A Assunção, definida no dia de Todos os Santos

Em 1946, o Papa Pio XII organizou uma consulta universal entre os pastores da Igreja sobre uma possível definição da Assunção como dogma de fé. A Encíclica Deiparae Virginis (1º de maio de 1946) foi dirigida a todos os bispos para perguntar se eles pensavam que a assunção corporal de Maria poderia ser definida solenemente como uma verdade a ser acreditada por todos, com seu clero e seus fiéis, e se desejavam tal proclamação do dogma. Não foi a primeira vez que uma consulta desse tipo foi realizada na Igreja com o objetivo de definir um dogma. Para a definição da Imaculada Conceição, o Papa Pio IX, em 1848, consultou os teólogos e em 1849 organizou uma consulta a todos os bispos. Resultou em uma adesão quase unânime, com apenas cinco votos, de mais de 600, contrários à definibilidade!

A consulta para a definição da Assunção deu um resultado ainda mais expressivo devido à menor proporção de respostas negativas. Tal consulta demonstra a preocupação dos Papas quando querem exercer o seu poder de definir infalivelmente uma verdade de fé, de escutar primeiro a voz da Igreja e fazer ouvir esta voz no anúncio do dogma. Este não é um exercício arbitrário ou improvisado de poder doutrinário. Na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, que define a Assunção, lemos: «do consenso universal do magistério da Igreja, deduz-se um argumento certo e seguro para demonstrar a assunção corpórea da bem-aventurada virgem Maria» (MD 12). Trata-se, portanto, de verdade revelada por Deus, que todos os filhos da Igreja devem crer com firmeza e fidelidade.

Quando o venerável Pio XII proclamou o dogma da Assunção, confirmou definitivamente a fé presente em toda a Igreja. Antes da definição, algumas dúvidas ainda podiam ser acalentadas sobre o caráter revelado dessa afirmação, e às vésperas da definição alguns teólogos contestaram a definibilidade da doutrina. Após a definição, qualquer dúvida teve que ser excluída para aqueles que compartilham a fé da Igreja Católica. Assim aparece a utilidade da definição pontifícia: ela esclarece o conteúdo da fé formulando a verdade a ser acreditada e dá certeza definitiva na adesão a essa verdade. As dúvidas expressas por alguns teólogos partiram da origem da doutrina da Assunção, que, segundo eles, teria se desenvolvido nos primeiros séculos da Igreja sob a influência de relatos apócrifos da morte de Maria.

Essas histórias atribuíam um destino glorioso a Maria, mas não se baseavam em testemunhos históricos. Elas apareceram como fruto da imaginação humana que representava um quadro solene para a partida da mãe de Jesus deste mundo. Elas provocaram a celebração litúrgica da dormição ou morte de Maria, celebração que impulsionou muitas exposições doutrinais do mistério.

Podemos compreender as reações de desconfiança em relação às representações do imaginário popular expressas nos apócrifos. No entanto, devemos observar que, por meio dessas representações, se manifestou uma intuição fundamental da fé cristã: a entrada de Maria no céu foi gloriosa, porque a Mãe estava unida à glória de seu Filho. O fato de a fé se expressar por meio de imagens sensíveis não diminui o valor da profunda convicção de que Maria teve uma participação única e extraordinária no destino do Salvador.

Na tradição posterior da Igreja, as representações lendárias foram abandonadas e a fé na Assunção da Mãe de Cristo poderia assumir uma forma mais pura, expressando mais explicitamente a natureza espiritual da glorificação após a morte. A definição da Assunção, proclamada em 1º de novembro de 1950, usava termos que querem evitar a ideia de se deslocar de um lugar para outro: a fórmula dogmática diz que Maria, «terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial» (MD 44). No sentido espiritual, o céu não é um lugar, mas um estado, caracterizado pela glória celestial.

Podemos ver que a definição dogmática corresponde à convicção manifestada nos primeiros séculos pelo povo cristão. A fé desse povo buscava representações que expressassem a associação de Maria com o glorioso triunfo de seu Filho. A reflexão teológica aceitou esta afirmação popular de fé e deu-lhe uma formulação mais pura e exata. Houve uma colaboração de toda a Igreja no desenvolvimento da doutrina da Assunção, e a proclamação do dogma pelo Venerável Pio XII deu-nos o fruto deste desenvolvimento, expressando a fé do povo de Deus.
Para aprofundar a reflexão sobre a Assunção de Maria e a sua relação com a festa de Todos os Santos, consulte a exortação apostólica Marialis Cultus de Paulo VI, que situa as festas marianas no calendário litúrgico da Igreja em relação ao mistério de Cristo.
Perguntas frequentes
Quando é comemorado o Dia de Todos os Santos?
A Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos em 1º de novembro. No Brasil, onde a data não é dia santo de guarda próprio, a solenidade é usualmente transferida para o domingo. Em 2026, o 1º de novembro cai num domingo, e a celebração acontece no próprio dia. No dia seguinte, segunda-feira, 2 de novembro, é a Comemoração de todos os fiéis defuntos, o Dia de Finados.
Todos os Santos é dia santo de guarda no Brasil?
Não como dia próprio. O cânon 1246 inclui Todos os Santos entre os dias de preceito da Igreja universal, mas permite que a Conferência episcopal os transfira para o domingo. No Brasil, além dos domingos, são de preceito Santa Maria Mãe de Deus, Corpus Christi, Imaculada Conceição e Natal. Em 2026, como a solenidade cai num domingo, a missa do dia, ou a da tarde de sábado, cumpre o preceito dominical.
Qual é a diferença entre Todos os Santos e Finados?
Em Todos os Santos, a Igreja louva a Deus pelos que já estão na glória, conhecidos ou anônimos. Em Finados, reza pelos fiéis defuntos que ainda passam pela purificação final, que a Igreja chama purgatório (Catecismo, 1030-1031). As duas datas exprimem a mesma comunhão dos santos: a Igreja que caminha na terra, a que se purifica e a que já está glorificada formam uma só Igreja (Lumen gentium, 49).
Por que a festa de Todos os Santos é em 1º de novembro?
A história tem pontos discutidos. Segundo a Catholic Encyclopedia (1907), Bonifácio IV consagrou o Panteão de Roma à Virgem Maria e a todos os mártires em 13 de maio de 609 ou 610. Gregório III (731-741) dedicou na Basílica de São Pedro uma capela a todos os santos e fixou o aniversário em 1º de novembro. Gregório IV (827-844) estendeu essa celebração a toda a Igreja.
Por que Maria é chamada Rainha de todos os santos?
A invocação «Rainha de todos os Santos» está na Ladainha de Loreto. O Concílio Vaticano II ensina que Maria, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e «exaltada por Deus como rainha» (Lumen gentium, 59) e intercede junto do Filho «na comunhão de todos os santos» (Lumen gentium, 69). Ela é o membro mais eminente dessa comunhão e o sinal do que a Igreja espera para todos.
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