Clemente XIII, XIV e Pio VI – mariologia no iluminismo e revolução francesa (Doctrina pontifical IV, nn. 221-231)
Os papas da segunda metade do século XVIII, Clemente XIII (1758-1769), Clemente XIV (1769-1774) e Pio VI (1775-1799), enfrentaram os desafios do Iluminismo e da Revolução Francesa, que atacavam não apenas o pontificado mas a devoção mariana como manifestação de «superstição». Os seus documentos marianos são, em parte, uma resposta a este desafio cultural.
| Colecção | Doctrina Pontificia IV: Documentos Marianos, nn. 221-231 |
| Papas | Clemente XIII (1758-1769) | Clemente XIV (1769-1774) | Pio VI (1775-1799) |
| Período | 1758-1799 (Iluminismo e Revolução Francesa) |
Clemente XIII (1758-1769), nn. 221-224
O pontificado de Clemente XIII está marcado pela expulsão dos Jesuítas (que será concretizada pelo seu sucessor) e pelo crescendo do iluminismo anti-religioso. Os seus quatro documentos marianos são:
- n. 221, Bula “Quantum ornamenti” (8 novembro 1760): Sobre os ornamentos espirituais de Maria e a sua intercessão pela Igreja em tempos de tribulação
- n. 222, Breve “Cum primum” (17 janeiro 1761): Privilégios do Escapulário Carmelitano
- n. 223, Breve “Commissi” (16 março 1767): Devoção mariana nas missões
- n. 224, Breve “Eximia pietatis” (14 março 1768): Celebração mariana em novas dioceses
Clemente XIV (1769-1774), n. 225: “Ratio pastoralis”
Clemente XIV, o papa que suprimiu a Companhia de Jesus (1773), é paradoxalmente um dos papas mais marianos do século XVIII. O Breve Ratio pastoralis (21 novembro 1769) afirma que a devoção a Maria é inseparável da fé cristã autêntica e que os pastores devem promovê-la activamente nas suas dioceses.
Pio VI (1775-1799), nn. 226-231
Pio VI viveu a Revolução Francesa, foi preso pelos exércitos napoleónicos e morreu cativo em Valence (1799). Os seus seis documentos marianos mostram como, em tempos de perseguição, o pontificado recorria a Maria como âncora de esperança. A Constituição Auctorem fidei (28 agosto 1794), o mais importante documento de Pio VI, condena o Sínodo Jansenista de Pistoia, que havia atacado numerosas devoções marianas como «superstição»:
«Propositio quae statuit […] cultum Beatissimae Virginis Mariae eo sensu intelligendum esse, quasi ea esset adoratio… falsa, scandalosa, impia, propositio autem quae asserit Mariam esse Mediatricem […] pia et sana»
A proposição que estabelece […] que o culto da Santíssima Virgem Maria deve ser entendido no sentido de ser adoração… é falsa, escandalosa, ímpia, mas a proposição que afirma que Maria é Medianeira […] é pia e sã.
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