Símbolos de fé marianos – fundamento dogmático (Doctrina pontifícia IV, nn. 1-7)

Por Prof. Dr. Daniel C. Afonso · Atualizado em
A Doctrina Pontificia IV: Documentos Marianos (PAMI/BAC, 1954) abre com os Símbolos da Fé que constituem o fundamento dogmático da mariologia cristã. Os sete primeiros documentos do corpus são fórmulas de fé marianas da Igreja antiga, que afirmam a maternidade virginal de Maria como artigo de fé universal.
| Coleção | Doctrina Pontificia IV: Documentos Marianos (PAMI/BAC, 1954) |
| Entradas | nn. 1-7 |
| Época | Século IV-V |
| Tema | Maternidade virginal de Maria como artigo de fé |
Os sete símbolos marianos
1. Fórmula ocidental antiga
A fórmula mais antiga do Ocidente afirma já: «natus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine», nasceu do Espírito Santo, da Virgem Maria. Esta cláusula mariana é inseparável do mysterium Christi: a virgindade de Maria é a garantia da divindade do Verbo encarnado.
2. Fórmula ocidental recente (Apostolicum)
O Símbolo Apostólico, na sua forma definitiva, proclama: «qui conceptus est de Spiritu Sancto, natus ex Maria Virgine», que foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria. Esta é a fórmula cristã mais difundida no mundo.
3-4. Fórmulas orientais
As fórmulas orientais, paralelas ao Símbolo Niceno-Constantinopolitano, afirmam igualmente a encarnação do Verbo de Deus do Espírito Santo e de Maria, a Virgem, garantindo a universalidade da confissão mariana na Igreja unida.
5. Fórmula “Fides Damasi”
Atribuída outrora ao Papa Dâmaso I (366-384) ou a São Jerônimo, esta fórmula é, segundo o Denzinger (DH 71-72), do fim do século V e provavelmente do sul da Gália. A sua cláusula mariana diz que o Filho «conceptus est de Spiritu Sancto et natus ex Maria Virgine», foi concebido do Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria.
6. Fórmula “Libellus in modum symboli”
Segundo J. A. de Aldama, seguido pelo Denzinger, é a forma longa do símbolo antipriscilianista de Toledo, composta por Pastor, bispo de Palência, e aprovada no sínodo de Toledo de 447, portanto depois de Éfeso. A sua cláusula mariana afirma a concepção virginal: «sanctificasse in utero [uterum] beatae Mariae Virginis, atque ex ea verum hominem, sine viri [virili] generatum semine, suscepisse» (Denzinger, n. 20, entre colchetes as variantes da forma longa), santificou o seio da bem-aventurada Virgem Maria e dela assumiu verdadeiro homem, gerado sem sêmen de varão.
7. Fórmula “Quicumque” (Símbolo atanasiano)
O Símbolo Atanasiano (Quicumque vult salvus esse), provavelmente do século V, afirma: «perfectus homo ex anima rationali et humana carne subsistens, aequalis Patri secundum divinitatem, minor Patre secundum humanitatem, qui licet Deus sit et homo, non duo tamen sed unus est Christus, unus autem, non conversione divinitatis in carnem, sed assumptione humanitatis in Deum». A humanidade assumida foi tomada de Maria Virgem.
Significado dogmático
Estes sete símbolos mostram que a fé em Maria Mãe Virgem não é devoção popular tardia, mas artigo de fé universal desde os primeiros séculos. A cláusula mariana nos credos é o alicerce sobre o qual toda a mariologia eclesial se ergue: Maria é inseparável do mistério da encarnação.
Leitura complementar
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